O intuito principal desse blog é divulgar informações sobre a Química, ciência tão importante, porém muito desconhecida.
E como o melhor lugar para se começar é o começo, hoje falaremos sobre a Alquimia...
História da Alquimia
A palavra alquimia, AL-Khemy, vem do árabe e quer dizer "a química".
Esta ciência começou a se desenvolver por volta do século III a. C. em
Alexandria, o centro de convergência da época e de recriação das tradições
gregas, pitagóricas, platônicas, estoica, egípcias e orientais. A alquimia deve
sua existência à mistura de três correntes: a filosofia grega, o misticismo
oriental e a tecnologia egípcia. Obteve grande êxito na metalurgia, na produção
de papiros e na aparelhagem de laboratório, mas não conseguiu seu principal
objetivo: a Pedra Filosofal.
Os sábios que dedicaram sua vida
inteira à pesquisa alquímica pretendiam transformar os materiais opacos em
metais brilhantes e nobres. Em suas recolhas de laboratórios realizavam
valiosas pesquisas e idealizaram uma linguagem cheia de símbolos indecifráveis
para, deste modo, burlar a vigilância a que estavam submetidos por parte
daqueles regulamentos sociais, que em todos os tempos tem considerado como
tarefa prioritária a perseguição, ou desqualificação daqueles que se atrevem a
discordar e não compartilhar dos convencionalismos. Os grandes personagens do
pensamento hermético e esotérico anotavam sua investigações em códigos e as
chaves decifradoras só eram conhecidas pelos iniciados. Com isso muitos
alquimistas se separavam da sociedade, formando seitas secretas e seu
engajamento era feito através de juramentos:
“Eu te faço jurar pelos céus, pela terra, pela luz e pela trevas; Eu
te faço jurar pelo fogo, pelo ar, pela terra e pela água; Eu te faço jurar pelo
mais alto dos céus, pelas profundezas da terra e pelo abismo do tártaro; Eu te
faço jurar por Mercúrio e por Anubis, pelo rugido do dragão Kerkorubos e pelo
latido do cão de três tetas, Cérbero, guardião do inferno; Eu te conjuro pelas
três Parcas, pelas três fúrias e pela espada a não revelar a pessoa alguma
nossas teorias e técnicas”.
Devido às suas origens, a alquimia
apresentou um caráter místico, pois absorveu as ciências ocultas da Mesopotâmia, Pérsia, Caldéia, Egito e Síria. A arte hermética da alquimia já
nasceu em lenda e mistério. Os alquimistas usavam fórmulas e recitações mágicas
destinadas a invocar deuses e demônios favoráveis as operações químicas. Por
isso muitos eram acusados de pacto com o demônio, presos, excomungados e
queimados vivos pela Inquisição da Igreja Católica. Por questão de
sobrevivência, os manuscritos alquímicos foram elaborados em formas de poemas
alegóricos, incompreensíveis aos não iniciados. Mais de dois mil anos antes do
início da nossa era, os babilônios e os egípcios, procuravam obter ouro
artificialmente, e já se interessavam pela transformação dos metais em ouro.
Nessa época, a prática da alquimia era realizada sob o mais absoluto dos
segredos, pois era considerada uma ciência oculta. Sob a influência das
ciências advindas do Oriente Médio, os alquimistas passaram a atribuir
propriedades sobrenaturais às plantas, letras, pedras, figuras geométricas e os
números eram usados como amuletos, como o 3, o 4 e o 7.
Em função das condenações proclamadas
pela Igreja Católica aos alquimistas, durante a Idade Média, o cheiro de
enxofre passou a ser associado ao diabo. Os alquimistas faziam suas
experiências com enxofre comum, sendo denunciados pelos fortes cheiros emanados
de suas casas ou laboratórios, o que permitia que fossem facilmente detectados
e acusados de bruxaria e pacto com o demônio, pondo fim aos seus
trabalhos. É também digno de registro a criação de Drácula, o vampiro, acusado
de obter longevidade às custas do sangue humano. Seu surgimento não passou de
uma bem sucedida tentativa para desmoralizar uma ordem mística alquimista,
surgida na Idade Média, que trabalhava na obtenção do elixir da longevidade.
Importante também, é enumerar as muitas descobertas feitas por alquimistas em seus
laboratórios, nas suas tentativas para atingir a Pedra Filosofal:
Água-régia(mistura de ácido nítrico e clorídrico), arsênico, nitrato de prata
(que produz ulcerações no tecido animal), acetato de chumbo, bicarbonato de
potássio, ácidos sulfúrico, clorídrico, canfórico, benzóico e nítrico, sulfato
de sódio e de amônia, fósforo, a potassa cáustica (hidróxido de potássio, que
permitia a fabricação de sabões), entre muitas outras coisas que possibilitaram
a evolução da humanidade. O sucesso da alquimia na Europa se deve aos árabes,
que introduziram ideias místicas acompanhadas por avanços práticos no
procedimento químico como a destilação e a descoberta de novos metais e
componentes.
À baixo e à direita, temos um quadro de
Henri Khunrath que mostra um laboratório oratório. Nos frascos que se alinham
sobre a bancada da chaminé se guardam certas substâncias alquímicas. Reparem
também no alquimista que, de joelhos diante da tenda-oratória, implora a
graça divina para o consumação do feito. A palavra Laboratório tem a seguinte
origem: Labor = trabalho; Oratório = local de orações.




A partir das obscuras etimologias,
através de uma leitura intrincada, enigmática e carregada de símbolos dos
escritos alquimistas, o que pode-se ter claramente é que as finalidades que
perseguia a alquimia resume-se em três fundamentos:
- Transformar os metais chamados inferiores (principalmente o mercúrio e o chumbo) em ouro e prata, metais tidos como superiores;
- Preparar uma panaceia que cure as enfermidades humanas, conserve e devolva a juventude e prolongue a vida - a Medicina Universal ou o Elixir da Longa Vida;
- Conseguir
a transformação espiritual do alquimista, de homem caído em criatura
perfeita.
Referências: http://www.cdcc.usp.br/ciencia/artigos/art_25/alquimia.html
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